Publicado por Redação em Saúde Empresarial - 02/04/2025 às 07:35:22

Sua empresa está preparada para gerir riscos psicossociais?

Entenda 5 pontos essenciais da atualização da NR-01 antes do início da vigência.

Especialistas explicam tudo que você precisa saber sobre a norma obrigatória de saúde mental para empresas, que entra em vigor em maio de 2025 e promete transformar o futuro do trabalho.

Sua empresa está preparada para implementar a gestão dos riscos psicossociais relacionados ao trabalho? Os casos de transtornos mentais continuam crescendo e, segundo dados do INSS, o número de trabalhadores afastados por ansiedade e episódios depressivos aumentou 67% em 2024, em relação a 2023, totalizando 472,3 mil brasileiros.

Esse número se torna ainda mais relevante diante da atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). De acordo com ela, a partir de maio de 2025, a saúde mental passará a ser tratada com a mesma relevância que outros riscos ocupacionais, e os aspectos psicossociais serão oficialmente incluídos no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), tornando obrigatória sua identificação e gestão.

“A atualização da NR-1 representa um avanço fundamental na forma como a saúde mental é tratada dentro das organizações. A partir de maio, as empresas deverão identificar e gerenciar riscos psicossociais dentro do PGR, garantindo que fatores como sobrecarga, assédio e condições adversas de trabalho sejam mapeados e mitigados com a mesma seriedade que outros riscos ocupacionais. Essa mudança estabelece um novo padrão de responsabilidade para as empresas e reforça a necessidade de ações concretas para a prevenção do adoecimento mental”, explica Tatiana Pimenta, fundadora e CEO da Vittude, referência no desenvolvimento e gestão estratégica de programas de saúde mental corporativos.

Como implementar essa gestão de forma estratégica e eficaz?

Para ajudar companhias de diferentes tamanhos a se prepararem, especialistas listam 5 passos essenciais para simplificar o processo:

1. Definição mais clara de perigo

Para gerenciar os riscos ocupacionais, um Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) deve ser implementado, contemplando ou integrando documentos previstos na legislação de segurança e saúde no trabalho. Com a atualização da NR-1, o conceito de risco ocupacional é ampliado, incluindo fatores psicossociais que podem impactar a saúde mental.

Isso significa que as empresas precisarão mapear e documentar situações como carga excessiva, pressão extrema por resultados e ambientes hostis.

“Se anteriormente havia elementos ou situações que poderiam causar lesões ou agravos à saúde do trabalhador, agora, com a NR-1, teremos um respaldo também em relação à saúde mental, colocando esses riscos no mesmo patamar que os físicos”, pontua Carine Roos, CEO da Newa e especialista na criação de ambientes corporativos humanizados.

2. Participação ativa dos trabalhadores

Segundo a norma, a organização deve adotar mecanismos que garantam a participação dos colaboradores no processo de gerenciamento de riscos ocupacionais. Eles devem ser comunicados sobre os riscos identificados no inventário e as medidas de prevenção definidas no plano de ação do PGR.

“Para uma gestão eficaz dos riscos psicossociais, as empresas precisarão escolher metodologias corretas e utilizar instrumentos validados que capturem dados sobre os perigos relacionados à organização do trabalho. Além disso, é essencial conduzir entrevistas e grupos focais para aprofundar o entendimento sobre a severidade e a probabilidade desses riscos, garantindo que as medidas de controle sejam assertivas e capazes de prevenir o adoecimento dos trabalhadores”, alerta Tatiana.

3. Conexão com a realidade contemporânea

A implementação da NR-1 exige que as companhias repensem práticas de gestão de pessoas, adotando soluções alinhadas às demandas atuais do mercado de trabalho. Carine ressalta que isso inclui:

“Políticas de flexibilidade, incentivo ao equilíbrio entre vida pessoal e profissional e suporte psicológico aos colaboradores. Organizações que revisam suas diretrizes para evitar sobrecarga, como semanas reduzidas ou regras de ‘desconexão digital’, tendem a combater melhor o burnout, prevenindo o esgotamento e aumentando a produtividade a longo prazo”.

4. Abordagem ampliada sobre riscos psicossociais e ergonômicos

Ao longo de 2024, mais de 3,5 milhões de trabalhadores receberam o benefício de incapacidade temporária, concedido pelo INSS a profissionais afastados por problemas de saúde por mais de 15 dias. Segundo o Ministério da Previdência Social, as principais causas de afastamento incluem dores na coluna, hérnia de disco e transtornos mentais e comportamentais — sendo mais de 140 mil afastamentos por ansiedade e quase 114 mil por episódios depressivos.

“A gestão dos riscos psicossociais é fundamental para reduzir os afastamentos por transtornos mentais, que crescem ano após ano. A sobrecarga de trabalho, a falta de equilíbrio entre vida profissional e pessoal e a pressão excessiva são fatores que impactam diretamente a saúde mental dos trabalhadores. A inclusão da saúde mental na NR-1 é um avanço essencial, pois exige que as empresas identifiquem e mitiguem esses riscos de forma estruturada, prevenindo adoecimentos e promovendo ambientes de trabalho mais saudáveis e sustentáveis”, reforça Tatiana.

5. O impacto na reputação

Mais do que uma obrigação legal, investir na saúde mental traz benefícios significativos para a reputação empresarial. Segundo Carine:

“Ajudar os gestores a identificar sinais de adoecimento mental e agir de forma adequada gera impacto positivo na empresa. Com treinamento apropriado, eles podem não apenas reduzir afastamentos, mas também construir uma imagem de empregadora que valoriza a saúde mental de seus times”.

Para Tatiana:

“O não cumprimento das exigências da NR-1 pode resultar em autos de infração, ações civis públicas e termos de ajustamento de conduta, trazendo riscos financeiros e reputacionais significativos. Mais do que um diferencial competitivo, a gestão da saúde mental é uma obrigação regulatória e uma responsabilidade civil do empregador. Empresas que estruturam programas eficazes de prevenção e gestão dos riscos psicossociais protegem não apenas seus colaboradores, mas também a sustentabilidade do próprio negócio”.

Fonte: Mundo RH


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