Publicado por Redação em Notícias Gerais - 05/08/2011 às 16:01:49

Por que a crise de outros países interfere tanto em nossos mercados?

SÃO PAULO – A forte queda da bolsa brasileira na última quinta-feira (5) mostrou para os investidores como o nosso mercado acionário é afetado pelas questões econômicas internacionais. Apesar da distância geográfica, dúvidas sobre a recuperação dos Estados Unidos e a crise fiscal em países da Europa afetam cada vez mais os mercados globais e o Brasil tem sido um dos países mais influenciados pelo risco de recessão global.

Prova disso é o desempenho da bolsa brasileira ao longo deste ano. Desde janeiro, o Ibovespa (principal índice da bolsa paulista) já acumula queda de 19,17% - até o fechamento de quinta-feira (4).

“O fato é que vivemos em um mundo globalizado e a informação gira muito rápido. Com isso, os problemas externos influenciam diretamente o nosso mercado”, afirma o especialista da MoneyFit, Antônio De Julio.

De acordo com o gerente-geral do INI (Instituto Nacional de Investidores), Paulo Portinho, o mundo vive uma expectativa bastante negativa e o Brasil pode estar menos protegido da crise do que em 2008, por exemplo. “O Governo brasileiro vem fazendo um esforço muito grande desde 2008 para que a nossa economia não perca fôlego. Mas isso não é infinito e as pessoas já começam a se preocupar”, acredita.

Olhar as notícias?
O especialista da MoneyFit ressalta que o investidor, especialmente aquele que opera no mercado de renda variável, precisa ficar atento ao noticiário e acompanhar os principais acontecimentos globais, mas não deve basear as suas decisões por impulso, por conta de notícias negativas ou positivas.

“Tomar decisões baseado nas notícias é sempre complicado. O investidor precisa ter uma estratégia, tem que definir alguns pontos antes de fazer um investimento. Costumo falar que ele precisa sempre responder a quatro “Q”s: quando entrar, quanto investir, quando sair com ganhos e quando sair com perdas”, afirma De Julio.

De acordo com De Julio, um dos problemas de se basear em notícias para fazer os investimentos é que, grande parte das vezes, o investidor pega o final do movimento e acaba perdendo dinheiro. “É como chegar no final da festa. Você perde todo o movimento que poderia resultar em lucro para sua transação”, afirma.

O especialista aponta que o brasileiro tem o costume de esperar por notícias boas para comprar e por notícias ruins para vender. “Grandes investidores, como Warren Buffet, fazem exatamente o contrário. Quando o mercado traz notícias ruins, ele compra, e quando as notícias são boas, ele vende. Assim, ele compra sempre com preços baixos e vende quando os preços estão altos”, afirma.

Já Paulo Portinho divide os investidores entre aqueles que operam no curto e no longo prazo. De acordo com ele, o investidor que opera no curto prazo precisa ficar mais atento a todos os movimentos e informações sobre a economia global, para tentar ganhar dinheiro com a volatilidade do mercado.

Já para aqueles que possuem objetivos de longo prazo, estas informações são importantes, mas não decisivas para o investimento. “Quem compra com intenção de acumular patrimônio e se aposentar, por exemplo, deve comprar sempre e aos poucos. Assim, ele tem uma carteira com preço médio menor e sua chance de lucro é bem maior”, afirma Portinho.

Investidores estrangeiros
O gerente-geral do INI  ressalta que um dos motivos que fazem com que a bolsa brasileira seja muito influenciada pelos problemas externos é a grande quantidade de investidores estrangeiros que operam por aqui. “Ainda tem um volume muito grande de estrangeiros. E são eles que mandam na direção do mercado. Se eles saem, a bolsa cai”, afirma Portinho.

Ele lembra que a bolsa de valores sempre reflete a expectativa futura do investidor. “Então, se existe uma expectativa de recessão global, que provavelmente vai afetar a economia brasileira, os preços começam a ser ajustados para baixo”, diz Portinho.

Fonte: www.infomoney.com.br - 05.08.2011


Posts relacionados

Notícias Gerais, por Redação

Câmara aprova projeto que permite terceirização da atividade-fim de empresa

A proposta, que regulamenta o trabalho terceirizado no setor privado, será enviada ao Senado. Entre outros pontos, o texto cria regras de sindicalização dos terceirizados; e prevê a responsabilidade solidária da empresa contratante e da contratada nas obrigações trabalhistas.

Notícias Gerais, por Redação

Mensalidade escolar vai subir mais que a inflação em 2014

As escolas particulares da capital terão reajuste da mensalidade acima da inflação em 2014. Pesquisa feita pela reportagem em dez escolas nas cinco regiões da cidade mostrou que as instituições estão informando aos pais que aplicarão aumentos entre 7% e 11% nas mensalidades de 2014. Os valores ficarão acima da inflação deste ano. A inflação medida pelo IPCA deve fechar em 5,82% neste ano, segundo economistas consultados pelo Boletim Focus, do Banco Central. O governo tem defendido que a inflação deste ano ficará abaixo da do ano passado, que foi de 5,84%. Nos últimos 12 meses --até agosto--, a inflação oficial registrada pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ficou em 6,09%. As escolas só podem aplicar reajustes que sejam justificados pela elevação dos custos, afirma a advogada especialista em direito do consumidor Adélia de Jesus Soares. "Pela legislação, o objetivo das instituições de ensino não é gerar lucro, por isso, os reajustes devem ser baseados nas despesas", afirma. A justificativa de aumento deve ser feita por escrito com, pelo menos, 45 dias de antecedência à aplicação. "Mas se os pais considerarem que o valor é abusivo, podem procurar órgãos de defesa do consumidor, como o Procon." JUSTIFICATIVA Uma das explicações para aumentos acima da inflação é o salário dos professores, que em 2013 teve reajuste superior a 8%, explicou o presidente do Sieeesp (sindicato das escolas de SP), Benjamin Ribeiro da Silva. "Mas não acredito em preços abusivos, pois a concorrência é grande. Se subir muito, o pai muda o filho de escola." Silva também atribui o aumento à inflação dos aluguéis. CONFIRA OS AUMENTOS Colégio Bairro Preço atual (em R$) Reajuste previsto para 2014 (em %) Drummond Ponte Rasa 544 Até 10 Objetivo Tatuapé 1.354,65 De 8 a 11 Colégio Bandeirantes Vila Mariana 2.291 Até 10 Colégio Exato Interlagos 581 9 Colégio das Américas Perdizes 1.200 7 Colégio Módulo Lapa 852 8 Colégio Nova Cachoeirinha Vila Nova Cachoeirinha 426 7 Colégio Vip Tremembé 639 7,8* Colégio Equipe Santa Cecília 1.658 De 7,5 a 10 Colégio Santo Agostinho Liberdade 1.024,76 Até 10 FONTE: Escolas e reportagem A pesquisa levou em consideração os valores para o 6º ano do ensino fundamental *Reajuste definido para o turno da tarde REMATRÍCULA Pais que renovarem a matrículas dos filhos em colégios particulares devem ficar atentos a eventuais cobranças abusivas. A principal delas é a rematrícula, proibida pelo Código de Defesa do Consumidor. O pai do aluno só paga a matrícula uma vez, quando o filho entra na instituição. Nos anos letivos seguintes, devem ser cobradas apenas as mensalidades, explica a advogada Adélia Soares. "Mas a escola pode dividir o valor anual em 13 ou mais parcelas; não é proibido."

Notícias Gerais, por Redação

Cerca de 80 milhões de pessoas devem receber décimo terceiro salário

Cerca de 80 milhões de pessoas devem ser beneficiadas com o décimo terceiro salário este ano. De acordo com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), quase R$ 131 bilhões*

Notícias Gerais, por Redação

Inflação da 3ª idade fica menor que o IPC em 2011

O Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i), que mede a variação da cesta de consumo de famílias majoritariamente compostas por indivíduos com mais de 60 anos de idade , registrou no quarto trimestre de 2011, variação de 1,67%,

Deixe seu Comentário:

=