Publicado por Redação em Saúde Empresarial - 06/07/2012 às 15:55:48

Ouabaína: tratamentos inovadores para Parkinson e Alzheimer

Hormônio neuroprotetor

Pesquisadores brasileiros descobriram que o hormônio denominado ouabaína ativa substâncias que apresentam um efeito neuroprotetor no sistema nervoso central.

A descoberta poderá levar à produção de fármacos para tratamento de doenças neurodegenerativas, como mal de Parkinson e Alzheimer.

A ouabaína é uma substância extraída da planta Strophantus gratus e também encontrada no organismo humano.

"Nosso grupo é pioneiro em mostrar a ação da ouabaína em atividades protetoras dos neurônios cerebrais", explica o professor Cristoforo Scavone, que orientou o estudo desenvolvido pela pesquisadora Elisa Mitiko Kawamoto, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP.

Ouabaína

A ouabaína - ou estrofantina-g - é uma substância extraída da planta Strophantus gratus e seu congênere, digoxina.

Atualmente ela é utilizada para tratar a insuficiência e a arritmia cardíaca, promovendo aumento da força de contração cardíaca e normalização do ritmo do coração.

"Cientistas dos Estados Unidos e do Japão constataram que a ouabaína também é produzida no organismo humano, em pequena quantidade, e encontraram vestígios do hormônio no sistema nervoso central. Posteriormente, constatou-se que o hormônio também é produzido nas glândulas suprarrenais", conta Scavone.

Tratamentos inovadores

Segundo o professor, o tratamento clássico das doenças neurodegenerativas é baseado em fármacos que atuam apenas como paliativos.

Com a descoberta do grupo surge uma nova possibilidade de desenvolver fármacos que bloqueiam os processos ligados à morte neuronal, o que poderá impedir a progressão dessas doenças.

"Os tratamentos convencionais apresentam bons resultados em alguns pacientes. Já outros não respondem bem ao tratamento. Sabemos que as doenças neurodegenerativas são multifatoriais", comenta Scavone, sinalizando aí a possibilidade de surgimento de um modo inovador para tratamento de doenças neurodegenerativas.

Glutamato

No primeiro estudo, realizado em ratos, os cientistas injetaram o hormônio na região do hipocampo do cérebro (região ligada à perda da memória) e perceberam que havia um aumento de uma proteína que tem capacidade de modelar a expressão de genes importantes para a proteção dos neurônios.

Foram usadas baixas concentrações da ouabaína, dentro do nível fisiológico, ao contrário das utilizadas para a produção de fármacos cardiotônicos, que são mais altas.

Essa baixa concentração do hormônio foi capaz de modular a ação dos receptores de glutamato, um aminoácido excitatório presente no organismo e fundamental para a atividade do sistema nervoso central.

Mas o glutamato acaba provocando a morte de neurônios quando encontrado em quantidade excessiva no organismo. Por isso, o excesso do aminoácido está associado a doenças neurodegenerativas como o mal de Parkinson e o Alzheimer.

No Parkinson, ocorrem problemas com os neurônios ligados à produção de dopamina, afetando a parte motora. No Alzheimer, a morte e degeneração dos neurônios causa danos ao sistema límbico (área do cérebro responsável pelas emoções) ou motor.

A pesquisa mostrou que a ouabaína modula ação dos receptores de glutamato, levando à produção de genes importantes para a sinalização protetora, que atuariam evitando a morte desses neurônios.

Resposta inflamatória

O segundo estudo, realizado pela pesquisadora Larissa de Sá Lima, foi feito em cultura de células primárias, uma mistura de neurônios e glia - glia é um conjunto de células que envolvem os neurônios.

Os resultados obtidos foram semelhantes, indicando que a ouabaína modula genes ligados à resposta inflamatória e dos fatores neurotróficos (proteínas que favorecem a sobrevivência dos neurônios).

Fonte: www.diariodasaude.com.br


Posts relacionados

Saúde Empresarial, por Redação

A fatura da exaustão: os impactos da escala 6×1 na saúde mental dos trabalhadores

A longa jornada de seis dias por semana cobra um alto preço do bem-estar dos profissionais e levanta questionamentos sobre a necessidade de revisão das condições de trabalho no Brasil. A escala de trabalho 6x1, amplamente adotada em diversos setores, tem sido alvo de intensos debates sobre seu impacto na saúde mental

Saúde Empresarial, por Redação

Você contrataria uma consultoria hospitalar para sua empresa?

Ao contratar consultores independentes, instituição agrega imparcialidade e a experiência de já ter vivido situações semelhantes

Saúde Empresarial, por Redação

Brasileiros descobrem novas surpresas sobre o colesterol

A sigla HDL, popularmente conhecida como "colesterol bom", tornou-se familiar até para quem não é da área da saúde depois que diversos estudos demonstraram a importância dessa lipoproteína na prevenção da aterosclerose e das doenças cardiovasculares.

Saúde Empresarial, por Redação

Seu emprego está atrapalhando a sua dieta?

Emagrecer não é fácil, e alguns fatores da nossa vida cotidiana podem dificultar a perda de peso ainda mais. O estresse do ambiente de trabalho pode fazer com que você procure alimentos engordativos, buscando a comida como uma forma de melhorar o seu bem estar emocional.

Saúde Empresarial, por Redação

Anvisa suspende venda de medicamento da Hipolabor Farmacêutica

O anticoagulante Parinex - indicado no tratamento de trombose, embolia, infarto do miocárdio, heparinização do sangue, entre outros, deve ser recolhido do mercado

Deixe seu Comentário:

=